A menopausa é uma etapa natural na vida de toda mulher, mas natural não quer dizer simples. Entre as dúvidas, os receios e os sintomas que às vezes chegam sem aviso, muitas mulheres se sentem perdidas, e ainda ouvem que "é assim mesmo" e que precisam aguentar.
Não precisam. Ondas de calor, noites mal dormidas, mudanças de humor e desconforto na relação sexual têm explicação e têm tratamento. Neste artigo, a Dra. Raissa Sousa Amaral, ginecologista em Belo Horizonte, explica o que acontece no corpo, quais sintomas esperar, como a menopausa afeta a saúde a longo prazo e quais são os caminhos para viver essa fase bem.
O que é a menopausa?
Menopausa é a data da última menstruação. Ela só é confirmada depois, quando você completa 12 meses seguidos sem menstruar. No Brasil, acontece em média entre os 45 e os 55 anos, mais frequentemente por volta dos 48 a 50. Antes dos 40 anos, chama-se insuficiência ovariana prematura e merece investigação e tratamento específicos; entre 40 e 45, é considerada menopausa precoce.
A causa é o esgotamento natural dos folículos ovarianos: os ovários param de ovular e de produzir estrogênio e progesterona em quantidade relevante. Além da menopausa natural, ela pode ser induzida pela retirada cirúrgica dos ovários ou por tratamentos como quimioterapia e radioterapia, situações em que os sintomas costumam ser mais abruptos.
Menopausa, climatério e perimenopausa: qual é a diferença?
Esses termos se confundem no dia a dia:
- Climatério é o período de transição, que começa anos antes da última menstruação e segue depois dela, em que o corpo se adapta à queda hormonal.
- Perimenopausa é a fase do climatério em que os ciclos ficam irregulares e os sintomas começam, geralmente a partir dos 40 e poucos anos. Pode durar de 4 a 8 anos. Nela ainda é possível engravidar, embora seja menos provável.
- Pós-menopausa é toda a vida após a confirmação da menopausa.
Quais são os principais sintomas?
Eles variam muito de intensidade. Algumas mulheres quase não sentem; outras têm a rotina bastante afetada.
- Ondas de calor (fogachos): calor súbito no rosto, pescoço e peito, com suor e às vezes calafrio depois. Podem durar de segundos a minutos e se repetir muitas vezes ao dia.
- Suores noturnos: ondas de calor durante a noite, que acordam e molham a roupa.
- Alterações do sono: dificuldade para dormir ou manter o sono, nem sempre ligada ao calor.
- Mudanças de humor: irritabilidade, ansiedade, tristeza, choro fácil, sensação de "não ser mais eu". Mulheres com histórico de depressão têm risco maior nessa fase.
- Alterações de memória e concentração: o "nevoeiro mental", que costuma melhorar com o tempo.
- Secura vaginal e dor na relação: a queda do estrogênio afina e resseca a mucosa da vagina e da vulva. Faz parte da chamada síndrome geniturinária da menopausa, que inclui também ardência, corrimento alterado, urgência urinária e infecções urinárias de repetição. Diferente das ondas de calor, esses sintomas não passam sozinhos e tendem a piorar sem tratamento.
- Diminuição da libido: por vários motivos combinados, hormonais e emocionais.
- Pele e cabelo: pele mais seca e fina, cabelos com menos volume.
Como a menopausa afeta a saúde a longo prazo?
Além dos sintomas que você sente, a queda do estrogênio tem efeitos silenciosos:
- Osteoporose: a perda de massa óssea acelera nos primeiros anos após a menopausa, aumentando o risco de fraturas. A densitometria óssea avalia isso.
- Doença cardiovascular: o estrogênio protege os vasos; depois da menopausa, o risco de infarto e AVC aumenta. Pressão, colesterol e glicose precisam de atenção.
- Metabolismo: é comum ganhar peso e mudar a distribuição de gordura, que se concentra mais no abdômen, mesmo sem mudar a alimentação.
- Saúde geniturinária: sem tratamento, a atrofia da mucosa progride e pode trazer dor, infecções urinárias repetidas e perda de qualidade da vida sexual.
Quais são as opções de tratamento?
Terapia hormonal (TRH)
A terapia hormonal com estrogênio, associado a progestagênio em quem tem útero, é o tratamento mais eficaz para ondas de calor, suores noturnos e secura vaginal, e também ajuda a prevenir a perda óssea. Para mulheres saudáveis, com menos de 60 anos ou até 10 anos após a menopausa, os benefícios superam os riscos na maioria dos casos, segundo a FEBRASGO e as sociedades internacionais de menopausa.
Ela não é indicada para quem tem ou teve câncer de mama, histórico de trombose ou AVC, doença hepática grave ou sangramento vaginal sem causa definida, entre outras situações. Dose, via (comprimido, gel, adesivo) e tempo de uso são individualizados e revisados periodicamente. A Dra. Raissa trabalha com terapia hormonal do climatério no consultório, sempre depois de avaliação clínica e exames.
Implantes hormonais manipulados, divulgados para fins estéticos ou de "rejuvenescimento", não são recomendados pela FEBRASGO nem pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, e o Conselho Federal de Medicina veda a prescrição de hormônios com essa finalidade.
Estrogênio vaginal
Para quem tem apenas sintomas geniturinários, ou não pode usar hormônio sistêmico, o estrogênio em creme ou óvulo vaginal, em dose muito baixa, trata a secura, a dor na relação e as infecções urinárias de repetição com absorção mínima para o resto do corpo. Hidratantes e lubrificantes vaginais sem hormônio também ajudam.
Tratamentos não hormonais
Alguns antidepressivos em dose baixa, a gabapentina e medicamentos mais novos que agem no centro de controle da temperatura reduzem as ondas de calor em quem não pode ou não quer usar hormônio. Terapia cognitivo-comportamental ajuda na insônia e no humor.
Hábitos que fazem diferença
- Alimentação: rica em cálcio (laticínios, folhas verdes, sardinha), vitamina D (sol e, se preciso, suplemento), proteínas e fibras; menos ultraprocessados, álcool e cafeína, que pioram as ondas de calor e o sono.
- Exercício: musculação e exercícios de impacto fortalecem os ossos; aeróbico protege o coração e melhora o humor. O ideal é combinar os dois.
- Sono: quarto fresco, horários regulares e menos telas à noite.
- Estresse: meditação, respiração, ioga e, quando necessário, psicoterapia.
- Vida sexual: lubrificantes, tempo e conversa com a parceria. A dor na relação não deve ser aceita como normal; veja dor na relação sexual: causas e quando procurar a ginecologista.
Quando procurar a ginecologista
Procure avaliação se:
- os sintomas atrapalham seu sono, seu trabalho ou seus relacionamentos;
- você tem secura, ardência ou dor na relação sexual;
- percebe tristeza persistente, ansiedade ou irritabilidade que não passam;
- tem infecções urinárias de repetição;
- parou de menstruar antes dos 40 anos;
- quer entender se a terapia hormonal é uma opção para você.
Atenção: qualquer sangramento vaginal depois de 12 meses sem menstruar deve ser investigado, mesmo que pequeno. Na maioria das vezes a causa é benigna, mas pode indicar alterações do endométrio que precisam de diagnóstico rápido.
Se você ainda menstrua e quer entender o que está mudando, o artigo sobre o ciclo menstrual ajuda a reconhecer os primeiros sinais da perimenopausa. Para montar um plano de cuidado feito para você, agende sua consulta com a Dra. Raissa em Belo Horizonte.
Perguntas frequentes
Com que idade começa a menopausa?
A última menstruação ocorre, em média, entre os 45 e os 55 anos; no Brasil, mais frequentemente por volta dos 48 a 50. Os sintomas da perimenopausa podem começar alguns anos antes, a partir dos 40 e poucos. Menopausa antes dos 40 anos é considerada insuficiência ovariana prematura e exige investigação.
Quanto tempo duram os sintomas da menopausa?
As ondas de calor duram, em média, de 4 a 7 anos, mas em algumas mulheres persistem por mais de uma década. Já os sintomas geniturinários, como secura vaginal e dor na relação, não passam com o tempo e tendem a piorar sem tratamento. Por isso vale tratar em vez de esperar.
Terapia hormonal é perigosa?
Para mulheres saudáveis que iniciam a terapia antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a menopausa, os benefícios superam os riscos na maioria dos casos, segundo as diretrizes atuais. Existem contraindicações, como câncer de mama e histórico de trombose, e a decisão deve ser individual, com acompanhamento regular.
É possível engravidar na perimenopausa?
Sim. Enquanto houver ovulação, mesmo irregular, a gravidez é possível. A contracepção deve ser mantida até 12 meses após a última menstruação em mulheres com mais de 50 anos, e por 24 meses nas que têm menos de 50, ou conforme orientação médica.
O que ajuda na secura vaginal?
Hidratantes vaginais de uso regular e lubrificantes na relação aliviam o desconforto. Quando não bastam, o estrogênio vaginal em dose baixa é muito eficaz e seguro para a maioria das mulheres, inclusive muitas que não podem usar hormônio sistêmico. Manter a atividade sexual também ajuda a preservar a elasticidade da mucosa.
Fontes e referências
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Climatério e menopausa: protocolos e posicionamentos sobre terapia hormonal.
- Ministério da Saúde. Manual de atenção à mulher no climatério/menopausa.
- The Menopause Society (antiga North American Menopause Society). Hormone Therapy Position Statement, 2022.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Menopause: fact sheet.
- Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução de 2023 sobre prescrição de terapias hormonais com finalidade estética.
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e FEBRASGO. Posicionamento sobre implantes hormonais manipulados.
Dra. Raissa Sousa Amaral, ginecologista e obstetra em Belo Horizonte. CRM-MG 77617 · RQE 53502.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, nem autoriza automedicação. Em caso de sintomas, procure sua ginecologista.
