Escolher um método contraceptivo é uma das decisões mais frequentes no consultório ginecológico, e uma das que mais geram dúvida. São muitas opções, cada uma com vantagens, desvantagens e níveis diferentes de eficácia, e o que funciona para a sua amiga pode não funcionar para você.
Neste artigo, a Dra. Raissa Sousa Amaral, ginecologista em Belo Horizonte, apresenta os principais métodos, explica como cada um age no corpo e mostra o que vale a pena considerar antes de decidir.
Como medir a eficácia de um método?
Antes de falar de cada método, vale entender dois números que aparecem em toda tabela de contracepção: a eficácia no uso perfeito, quando o método é usado exatamente como indicado, e a eficácia no uso típico, que reflete a vida real, com esquecimentos e atrasos.
A diferença entre eles é o que mais importa na prática. A pílula, por exemplo, falha em menos de 1% das mulheres por ano no uso perfeito, mas em torno de 7% no uso típico, segundo dados do CDC. Já o DIU e o implante têm falha abaixo de 1% nos dois cenários, porque não dependem da memória de ninguém. Por isso são chamados de métodos reversíveis de longa duração (LARC) e são recomendados pela OMS e pela FEBRASGO como opção de primeira linha para quem quer máxima segurança.
Quais são os principais métodos contraceptivos?
Pílula anticoncepcional
A pílula combinada contém estrogênio e progestagênio e impede a ovulação. Existe também a pílula só de progestagênio, indicada para quem não pode usar estrogênio, como durante a amamentação.
- Vantagens: deixa o sangramento previsível e mais leve, reduz cólicas, pode melhorar a acne e permite pular a menstruação em alguns esquemas.
- Desvantagens: exige disciplina diária; esquecimentos reduzem a eficácia; pode causar náusea, dor de cabeça e sensibilidade nas mamas, principalmente nos primeiros meses.
DIU (dispositivo intrauterino)
O DIU é um pequeno dispositivo colocado dentro do útero pela ginecologista, em consultório. Há dois tipos: o DIU de cobre, sem hormônio, que dura até 10 anos; e o DIU hormonal, que libera progestagênio localmente e dura de 5 a 8 anos, conforme o modelo e a bula.
- Vantagens: eficácia acima de 99%, longa duração, sem rotina diária, reversível assim que retirado. O hormonal costuma reduzir muito o fluxo e as cólicas; o de cobre é opção para quem não quer hormônio.
- Desvantagens: desconforto na inserção; o de cobre pode aumentar o fluxo e a cólica; o hormonal pode causar escapes nos primeiros meses e, depois, ausência de menstruação (o que muitas mulheres consideram vantagem).
Implante contraceptivo (Implanon)
É uma haste flexível do tamanho de um palito de fósforo, colocada sob a pele do braço com anestesia local. Libera progestagênio e dura 3 anos.
- Vantagens: está entre os métodos mais eficazes que existem, não depende de rotina e pode ser retirado a qualquer momento.
- Desvantagens: o padrão menstrual muda e é imprevisível: algumas mulheres param de menstruar, outras têm escapes frequentes.
Se está em dúvida entre os dois, o artigo DIU e Implanon: qual método escolher compara as duas opções em detalhe.
Injeção contraceptiva
Aplicada a cada mês (combinada) ou a cada três meses (só progestagênio).
- Vantagens: não exige lembrete diário; a trimestral pode ser usada por quem não pode tomar estrogênio.
- Desvantagens: irregularidade menstrual; a trimestral pode demorar vários meses para a fertilidade voltar após a última dose e está associada a ganho de peso em algumas mulheres.
Anel vaginal
Anel flexível que você mesma coloca na vagina, onde fica por três semanas liberando hormônios em dose baixa; na quarta semana é retirado e vem o sangramento.
- Vantagens: uma única ação por mês, dose hormonal baixa e estável, menos náusea que a pílula.
- Desvantagens: exige conforto em tocar o próprio corpo; pode ser sentido na relação por algumas pessoas; tem as mesmas contraindicações dos métodos com estrogênio.
Dúvidas sobre colocação, dor e se ele sai na relação estão respondidas em anel vaginal: como funciona e como colocar.
Adesivo contraceptivo
Adesivo colado na pele e trocado uma vez por semana, durante três semanas, com uma semana de pausa.
- Vantagens: troca semanal, sem comprimidos.
- Desvantagens: pode descolar ou irritar a pele; tem as mesmas restrições dos métodos com estrogênio.
Preservativo
A camisinha, externa ou interna, é o único método que previne gravidez e também protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
- Vantagens: acessível, sem hormônios, proteção contra ISTs, pode ser combinada com qualquer outro método (dupla proteção).
- Desvantagens: no uso típico a falha chega a cerca de 13% ao ano, porque depende do uso correto em todas as relações; pode romper ou escorregar.
Contracepção de emergência
A "pílula do dia seguinte" é usada depois de uma relação desprotegida ou de falha de outro método. Quanto antes for tomada, melhor: funciona melhor nas primeiras 72 horas, podendo ser usada até cinco dias depois. O DIU de cobre colocado em até cinco dias também é uma opção eficaz de emergência.
- Vantagens: reduz muito a chance de gravidez após um imprevisto.
- Desvantagens: não serve como método de rotina, pode causar náusea e atrasar ou adiantar a menstruação, e falha mais do que os métodos regulares.
O que considerar na hora de escolher?
A pergunta certa não é "qual é o melhor método", e sim "qual é o melhor para mim, agora". Alguns pontos pesam na decisão:
- Sua rotina: se lembrar de um comprimido todo dia é difícil, métodos de longa duração (DIU, implante) ou de uso mensal (anel, injeção) fazem mais sentido.
- Planos de engravidar: se pretende engravidar em breve, prefira métodos com retorno rápido da fertilidade. DIU, implante, pílula, anel e adesivo têm retorno rápido após a interrupção; a injeção trimestral pode demorar mais.
- Saúde e histórico: pressão alta, enxaqueca com aura, tabagismo após os 35 anos, história de trombose ou de alguns tipos de câncer contraindicam os métodos com estrogênio. A OMS mantém critérios de elegibilidade que a ginecologista aplica caso a caso.
- Tolerância a hormônios: se você prefere evitar hormônios ou teve efeitos colaterais, o DIU de cobre e a camisinha são as opções.
- Proteção contra ISTs: se não há parceria fixa e testada, a camisinha deve entrar no plano, mesmo junto com outro método.
No consultório da Dra. Raissa, em Belo Horizonte, a conversa começa por essas perguntas. A inserção de DIU e de Implanon e a orientação sobre anel vaginal e adesivo são feitas no próprio consultório, depois da avaliação clínica.
Quando procurar a ginecologista
Antes de começar ou trocar de método, uma consulta evita erros e ajuda a escolher com segurança. Procure também avaliação se:
- você tem efeitos colaterais que não melhoraram após três meses;
- há sangramento intenso ou prolongado com o método atual;
- você quer engravidar e precisa de orientação para suspender o método;
- não sente os fios do DIU ou percebeu que o implante se moveu.
Dor forte na perna, falta de ar súbita, dor no peito ou dor de cabeça muito intensa e diferente do habitual, em quem usa método com estrogênio, são sinais de alerta: procure atendimento imediato.
Para escolher com calma, com todas as opções na mesa e sem julgamento, agende sua consulta.
Perguntas frequentes
Qual é o método contraceptivo mais eficaz?
Os métodos reversíveis de longa duração, DIU (de cobre ou hormonal) e implante, são os mais eficazes no uso real, com falha abaixo de 1% ao ano, porque não dependem de lembrar de nada. Pílula, anel, adesivo e injeção são muito eficazes quando usados corretamente, mas a falha aumenta com esquecimentos.
Anticoncepcional engorda?
A maioria dos métodos hormonais não causa ganho de peso relevante nos estudos, embora algumas mulheres percebam retenção de líquido ou mudança de apetite nos primeiros meses. A injeção trimestral é a exceção mais associada a ganho de peso em parte das usuárias. Se você notar mudança importante, converse com a ginecologista sobre trocar.
Preciso fazer pausa da pílula de tempos em tempos?
Não. Não há benefício em "descansar" do anticoncepcional, e a pausa aumenta o risco de gravidez não planejada. A pílula pode ser usada de forma contínua por anos, enquanto houver indicação e acompanhamento médico.
Posso usar DIU se nunca tive filhos?
Sim. O DIU é seguro e indicado para mulheres que nunca engravidaram, inclusive adolescentes, segundo a OMS e a FEBRASGO. A inserção pode ser um pouco mais desconfortável, e existem modelos menores que facilitam o procedimento.
Quanto tempo depois de parar o método eu posso engravidar?
Com DIU, implante, pílula, anel e adesivo, a fertilidade volta rapidamente, em geral no primeiro ou segundo ciclo após a interrupção. Com a injeção trimestral, pode levar de seis meses a um ano. O tempo também depende da idade e da sua saúde reprodutiva.
Fontes e referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Critérios médicos de elegibilidade para uso de métodos anticoncepcionais.
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Manual de anticoncepção.
- Ministério da Saúde. Saúde sexual e saúde reprodutiva: Cadernos de Atenção Básica.
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Contraceptive effectiveness in the United States.
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Long-Acting Reversible Contraception: Implants and Intrauterine Devices.
Dra. Raissa Sousa Amaral, ginecologista e obstetra em Belo Horizonte. CRM-MG 77617 · RQE 53502.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, nem autoriza automedicação. Em caso de sintomas, procure sua ginecologista.
