"Coloco DIU ou Implanon? Vou engordar? Vai piorar minha pele? Dói?" Se você já se fez essas perguntas, está na mesma situação de boa parte das mulheres que chegam ao consultório da Dra. Raissa Amaral em Belo Horizonte querendo um método que não dependa de lembrar todo dia.
DIU e Implanon fazem parte do grupo dos métodos reversíveis de longa duração, chamados de LARC. Eles estão entre os mais eficazes que existem, justamente porque não dependem do uso diário. Mas não são iguais, e o que é ótimo para uma mulher pode ser um incômodo para outra.
Neste artigo você vai conhecer as diferenças entre DIU de cobre, DIU hormonal e Implanon, o que esperar em cada um, como é a inserção e quais perguntas fazer na consulta para escolher com segurança.
O que são os métodos de longa duração?
São contraceptivos que, uma vez colocados, protegem por anos sem que você precise fazer nada. Têm algumas vantagens em comum:
- Eficácia muito alta, acima de 99% em uso típico, porque não há como "esquecer".
- Reversibilidade: a fertilidade retorna rapidamente após a retirada.
- Praticidade: você só pensa no método na hora de colocar e de trocar.
Podem ser usados por mulheres que nunca engravidaram e por adolescentes, segundo os critérios de elegibilidade da OMS, da FEBRASGO e do ACOG. Nenhum deles protege contra infecções sexualmente transmissíveis.
DIU de cobre: como funciona
O DIU de cobre é um pequeno dispositivo em formato de T, com fios de cobre, colocado dentro do útero. Não tem hormônio. O cobre cria um ambiente que impede a fecundação, agindo sobre os espermatozoides e o óvulo.
- Duração: até 10 anos, conforme o modelo e a bula.
- Menstruação: continua vindo, com o ciclo natural. O fluxo e a cólica podem aumentar, principalmente nos primeiros meses.
- Para quem faz sentido: quem não quer ou não pode usar hormônios, quem gosta de menstruar como referência do ciclo, quem busca um método de muitos anos.
- Pontos de atenção: não é a melhor escolha para quem já tem fluxo intenso ou cólica forte, nem para quem tem anemia por sangramento.
- Extra: o DIU de cobre também é um método de contracepção de emergência, se inserido em até cinco dias após a relação desprotegida.
Existem também modelos de cobre com prata, com variações de tamanho e duração; a indicação é discutida caso a caso.
DIU hormonal: como funciona
O DIU hormonal tem o mesmo formato, mas libera levonorgestrel, um progestagênio, diretamente no útero. A ação é principalmente local: espessa o muco do colo, afina o endométrio e, em parte das mulheres, inibe a ovulação.
- Duração: de 5 a 8 anos, conforme o modelo (Mirena e Kyleena são os mais conhecidos no Brasil) e a bula atual.
- Menstruação: tende a diminuir bastante. Uma parte das usuárias para de menstruar após alguns meses, o que é esperado e não faz mal. Nos primeiros meses pode haver escapes irregulares.
- Para quem faz sentido: quem tem fluxo intenso, cólica forte ou endometriose, quem quer menstruar pouco ou nada, quem precisa de proteção do endométrio.
- Pontos de atenção: como o hormônio é liberado em dose baixa e local, efeitos como acne, alteração de humor ou sensibilidade mamária são menos frequentes do que com métodos orais, mas podem ocorrer, sobretudo no início.
Implanon: como funciona
O Implanon é um bastonete flexível de cerca de 4 centímetros, do tamanho de um palito de fósforo, colocado sob a pele da face interna do braço. Libera etonogestrel, um progestagênio, de forma contínua. Age principalmente impedindo a ovulação.
- Duração: 3 anos, segundo a bula.
- Menstruação: o padrão de sangramento é imprevisível. Algumas mulheres param de menstruar; outras têm escapes frequentes ou sangramento prolongado. Esse é o principal motivo de retirada antecipada, e a Dra. Raissa conversa sobre isso com clareza antes da inserção.
- Para quem faz sentido: quem não quer nada dentro do útero, quem não pode usar estrogênio, quem quer um método "coloca e esquece" por três anos.
- Pontos de atenção: acne e dor de cabeça podem aparecer em algumas usuárias. A inserção e a retirada são feitas com anestesia local, em consultório.
Engorda? Piora a pele? Afeta a fertilidade?
Peso. As evidências não mostram ganho de peso relevante causado pelo DIU de cobre ou pelo DIU hormonal. Com o Implanon, alguns estudos sugerem ganho discreto em parte das usuárias, mas a variação é individual. Nenhum deles "engorda" de forma previsível.
Pele. O DIU de cobre não interfere na pele. Os métodos com progestagênio podem piorar a acne em algumas mulheres e não alterar nada em outras. Se você tem acne e isso é prioridade, conte na consulta, porque pode influenciar a escolha.
Fertilidade. Todos são reversíveis. Após a retirada, a fertilidade retorna rapidamente, em geral no primeiro ciclo. Eles não causam infertilidade.
Como é a inserção?
DIU (cobre ou hormonal). A inserção é feita no consultório, durante um exame ginecológico, e leva poucos minutos. Pode causar cólica no momento e nas horas seguintes, de intensidade variável. A Dra. Raissa orienta analgesia antes do procedimento e discute opções de conforto conforme a sua história. Depois, um ultrassom de controle confirma o posicionamento, e o retorno acompanha a adaptação.
Implanon. A inserção é no braço, com anestesia local, e leva poucos minutos. Fica um pequeno curativo por alguns dias e pode haver um hematoma leve. A retirada também é feita com anestesia local, por uma pequena incisão.
Nenhum dos métodos exige internação ou afastamento do trabalho.
Como escolher entre DIU e Implanon?
Não existe o "melhor método". Existe o que combina com o seu corpo e com a sua vida. Algumas perguntas que a Dra. Raissa faz na consulta:
- Você quer continuar menstruando ou prefere menstruar pouco ou nada?
- Tem fluxo intenso, cólica forte ou endometriose?
- Pode usar hormônio? Tem contraindicação a estrogênio?
- Tem preferência por algo fora do útero?
- Quantos anos de proteção fazem sentido agora?
- Como você lida com sangramentos imprevisíveis?
- Tem acne, enxaqueca ou outras condições que influenciam a escolha?
Para quem prefere um método mensal e com controle próprio, vale conhecer também o anel vaginal: como funciona, como colocar e dúvidas. E para uma visão geral de todos os métodos, leia contraceptivos: como escolher o método ideal.
Quando procurar a ginecologista
Marque consulta para avaliar qual método combina com você, antes de decidir. Depois da inserção, procure se a cólica for muito intensa ou durar além do esperado, se houver febre, corrimento com odor, sangramento muito volumoso ou se você não sentir mais os fios do DIU.
Procure atendimento rápido se tiver dor pélvica forte, febre, sangramento intenso ou suspeita de gravidez com DIU ou Implanon.
Perguntas frequentes
Quem nunca engravidou pode colocar DIU?
Sim. As diretrizes da OMS, da FEBRASGO e do ACOG consideram o DIU seguro e indicado para mulheres que nunca engravidaram, incluindo adolescentes. A inserção pode ser um pouco mais sensível, e a ginecologista planeja o conforto do procedimento com isso em mente.
O DIU hormonal e o Implanon param a menstruação?
Podem parar, e isso é esperado e seguro. Com o DIU hormonal, uma parte das usuárias deixa de menstruar após alguns meses. Com o Implanon, o padrão é imprevisível: algumas param, outras têm escapes. A ausência de menstruação nesses métodos não significa acúmulo de sangue nem problema de saúde.
O parceiro sente o DIU na relação?
O DIU fica dentro do útero e não é sentido. Os fios ficam no fundo da vagina e, com o tempo, amolecem. Em raros casos o parceiro percebe os fios, e a ginecologista pode aparar o comprimento.
Posso colocar o DIU durante a menstruação?
Sim, e muitas ginecologistas preferem, porque o colo está um pouco mais aberto e a chance de gravidez é afastada. Mas o DIU pode ser colocado em qualquer fase do ciclo, desde que a gravidez esteja excluída.
Quanto tempo depois de retirar o método posso engravidar?
A fertilidade retorna rapidamente após a retirada de qualquer um dos três. Muitas mulheres ovulam já no primeiro ciclo. Se você planeja engravidar, vale uma consulta antes da retirada para organizar o pré-concepcional.
O DIU pode sair do lugar?
Pode, embora não seja frequente. O risco é maior nos primeiros meses e em mulheres com fluxo muito intenso. Por isso é feito o ultrassom de controle e o retorno após a inserção. Se você não sentir os fios, sentir o plástico do DIU ou tiver cólica e sangramento fora do padrão, procure avaliação.
Pronta para decidir com calma? Agende sua consulta e vamos encontrar o método que combina com você.
Fontes e referências
- OMS (Organização Mundial da Saúde). Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Métodos Anticoncepcionais.
- FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Manual de Anticoncepção e orientações sobre contraceptivos reversíveis de longa duração.
- Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva; Protocolo de inserção de DIU na Atenção Primária.
- ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists). Practice Bulletin: Long-Acting Reversible Contraception: Implants and Intrauterine Devices.
- CDC (Centers for Disease Control and Prevention). U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use e U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use.
Conteúdo informativo escrito pela Dra. Raissa Sousa Amaral, ginecologista e obstetra (CRM-MG 77617 · RQE 53502). Não substitui consulta médica nem autoriza automedicação.
