Você sabia que boa parte das mulheres terá pelo menos um mioma ao longo da vida? O nome assusta, mas os miomas, também chamados de fibromas ou leiomiomas, são tumores benignos e extremamente comuns. Muitos são descobertos por acaso, em um ultrassom de rotina, e nunca causam problema algum.

Para outras mulheres, porém, eles pesam na qualidade de vida: menstruações que encharcam absorventes, anemia, dor, barriga que cresce, dificuldade para engravidar. Neste artigo, a Dra. Raissa Sousa Amaral, ginecologista em Belo Horizonte, explica o que são os miomas, como eles afetam a saúde e quais são as opções de tratamento disponíveis hoje.

O que são miomas uterinos?

Miomas são nódulos formados por tecido muscular e fibroso que crescem na parede do útero. Podem ser únicos ou múltiplos e variar de poucos milímetros, do tamanho de uma semente, a vários centímetros, do tamanho de uma laranja ou mais. São benignos: a transformação em câncer é muito rara.

A classificação depende de onde o mioma está:

  • Submucosos: crescem para dentro da cavidade do útero, logo abaixo do endométrio. São os que mais causam sangramento intenso e problemas de fertilidade, mesmo quando pequenos.
  • Intramurais: ficam dentro da espessura da parede muscular. São os mais comuns.
  • Subserosos: crescem para fora do útero, em direção à pelve. Costumam causar sintomas de compressão quando ficam grandes.
  • Pediculados: ligados ao útero por uma haste, podendo estar voltados para dentro ou para fora da cavidade.

Quais são os sintomas dos miomas?

Nem toda mulher com mioma tem sintomas. Quando eles aparecem, dependem do tamanho, do número e principalmente da localização dos nódulos:

  • Menstruação intensa e prolongada: é o sintoma mais frequente. Fluxo que dura mais de oito dias, troca de absorvente a cada uma ou duas horas, coágulos grandes e escape mesmo com proteção dupla. Com o tempo, isso pode levar à anemia, com cansaço, falta de ar e queda de cabelo.
  • Dor ou pressão pélvica: sensação de peso no baixo-ventre e cólicas mais fortes.
  • Dor na relação sexual: conforme a posição do mioma.
  • Vontade frequente de urinar: quando o mioma comprime a bexiga.
  • Intestino preso: pela pressão sobre o reto.
  • Aumento do volume do abdômen: em miomas grandes, a barriga pode crescer visivelmente, como numa gestação de poucos meses.
  • Dor nas costas ou nas pernas: quando há compressão de nervos da pelve, o que é menos comum.

Por que os miomas aparecem? Causas e fatores de risco

A causa exata ainda não está totalmente esclarecida. Sabe-se que o crescimento dos miomas depende dos hormônios estrogênio e progesterona: por isso eles aparecem e crescem na idade reprodutiva e costumam diminuir depois da menopausa.

Alguns fatores aumentam a chance de ter miomas:

  • histórico familiar (mãe ou irmã com miomas);
  • ascendência africana, em que os miomas tendem a surgir mais cedo e em maior número;
  • primeira menstruação precoce;
  • nunca ter engravidado;
  • obesidade e pressão alta.

Ter fatores de risco não significa que você terá miomas, e muitas mulheres sem nenhum deles os desenvolvem.

Miomas atrapalham a gravidez?

A maioria das mulheres com miomas engravida sem dificuldade e tem gestação tranquila. Em alguns casos, porém, eles interferem. Os miomas submucosos, que deformam a cavidade uterina, são os que mais frequentemente dificultam a implantação do embrião e aumentam o risco de aborto. Miomas intramurais grandes também podem ter algum impacto.

Durante a gestação, miomas podem crescer, causar dor e, mais raramente, estar associados a parto prematuro, posição anormal do bebê ou necessidade de cesariana. Por isso, quem tem miomas e deseja engravidar se beneficia de uma avaliação antes, para decidir se vale tratar primeiro.

Como é feito o diagnóstico?

Em geral, a suspeita surge no exame ginecológico, quando o útero está aumentado ou irregular, ou em um ultrassom pedido por outro motivo. O ultrassom transvaginal é o exame de escolha: mostra o número, o tamanho e a localização dos miomas. Em casos selecionados, como úteros muito grandes ou planejamento de cirurgia, a ressonância magnética detalha melhor o mapa dos nódulos. A histeroscopia permite ver a cavidade por dentro e tratar miomas submucosos no mesmo procedimento.

Exames de sangue para avaliar anemia (hemograma e ferritina) completam a investigação quando há sangramento intenso.

Quais são as opções de tratamento?

Mioma sem sintoma, em geral, não precisa de tratamento, apenas de acompanhamento. Quando há sintomas, a escolha depende do tamanho e da localização dos miomas, da intensidade das queixas, da idade e do desejo de engravidar.

  • Medicamentos para controlar o sangramento: anti-inflamatórios e ácido tranexâmico durante a menstruação; contraceptivos hormonais; o DIU hormonal, que reduz bastante o fluxo em muitas mulheres com miomas que não deformam a cavidade. Reposição de ferro trata a anemia.
  • Medicamentos que reduzem o mioma: análogos do GnRH e outras medicações que bloqueiam a ação hormonal podem encolher os nódulos temporariamente. Em geral são usados antes de uma cirurgia ou por tempo limitado.
  • Miomectomia: retirada apenas dos miomas, preservando o útero. Pode ser feita por histeroscopia (submucosos), por videolaparoscopia ou por corte abdominal, dependendo do caso. É a opção para quem quer preservar a fertilidade.
  • Embolização das artérias uterinas: procedimento feito por radiologia intervencionista que interrompe o fluxo de sangue dos miomas, fazendo com que diminuam. É uma alternativa à cirurgia em casos selecionados.
  • Histerectomia: retirada do útero. Reservada para mulheres com sintomas importantes que não desejam mais engravidar e não responderam a outras opções. É o único tratamento definitivo.

Nenhuma dessas opções serve para todas. Em consulta, a Dra. Raissa avalia o seu caso e explica prós e contras de cada caminho.

Quando procurar a ginecologista

Marque uma avaliação se você percebe:

  • menstruação que dura mais de oito dias ou exige troca de absorvente a cada uma ou duas horas;
  • coágulos grandes com frequência;
  • cansaço, tontura ou falta de ar, que podem indicar anemia;
  • dor ou peso na pelve que não melhora, ou dor na relação;
  • barriga que cresceu sem explicação;
  • vontade de urinar muito frequente ou intestino preso que começaram junto com os outros sintomas;
  • dificuldade para engravidar ou abortos repetidos.

Sangramento muito intenso, com fraqueza, desmaio ou palidez, é urgência: procure um pronto atendimento.

Se as cólicas são a sua maior queixa, vale ler também cólica menstrual: causas e como aliviar, já que miomas são uma das causas de dor menstrual que começa mais tarde na vida. E se a dúvida é entre mioma e endometriose, duas condições que podem coexistir, veja endometriose: o que é, sintomas e tratamento.

Para investigar seus sintomas com calma e sem julgamento, agende sua consulta com a Dra. Raissa em Belo Horizonte.

Perguntas frequentes

Mioma vira câncer?

Muito raramente. Os miomas são tumores benignos, e a chance de um nódulo no útero ser maligno (leiomiossarcoma) é muito baixa. Crescimento muito rápido, especialmente depois da menopausa, merece investigação, mas na imensa maioria dos casos o mioma permanece benigno a vida toda.

Todo mioma precisa ser operado?

Não. Miomas sem sintomas geralmente só precisam de acompanhamento com ultrassom. A cirurgia é indicada quando há sangramento, dor ou compressão que não respondem a tratamentos menos invasivos, ou quando o mioma atrapalha a fertilidade. Muitas mulheres controlam bem os sintomas com medicamentos ou DIU hormonal.

Mioma some na menopausa?

Com a queda dos hormônios após a menopausa, os miomas costumam parar de crescer e diminuir de tamanho, e os sintomas de sangramento desaparecem com o fim da menstruação. Eles raramente somem por completo, mas em geral deixam de incomodar. Um mioma que cresce após a menopausa deve ser investigado.

Quem tem mioma pode usar anticoncepcional ou DIU?

Na maioria dos casos, sim. Contraceptivos hormonais e o DIU hormonal são, inclusive, usados para reduzir o sangramento causado pelos miomas. A exceção são miomas submucosos que deformam muito a cavidade, situação em que o DIU pode não se fixar bem. A avaliação com ultrassom define a melhor opção.

Mioma causa infertilidade?

Nem sempre. A maioria das mulheres com miomas engravida normalmente. Os submucosos, que ficam dentro da cavidade do útero, são os que mais atrapalham a implantação do embrião, e a retirada por histeroscopia costuma melhorar as chances. Miomas em outras posições raramente são a única causa de infertilidade.

Fontes e referências

  • Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Leiomioma uterino: protocolo e orientações.
  • Ministério da Saúde. Protocolos de atenção à saúde da mulher.
  • American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Practice Bulletin: Management of Symptomatic Uterine Leiomyomas.
  • Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). Classificação PALM-COEIN para sangramento uterino anormal.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Orientações sobre saúde sexual e reprodutiva.

Dra. Raissa Sousa Amaral, ginecologista e obstetra em Belo Horizonte. CRM-MG 77617 · RQE 53502.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, nem autoriza automedicação. Em caso de sintomas, procure sua ginecologista.